Yami Kawaii!

21:09

 

Oi gente!!!

Macrotendências são grandes movimentos ou correntes socioculturais que influenciam o consumo por um período de tempo mais longo. Em média, com duração de aproximadamente dez anos, essas manifestações, posteriormente, refletem não só na moda como em outros tantos movimentos artísticos, como, por exemplo, a música.

No Japão, conformidade e rigidez ditam tudo, incluindo a forma que as pessoas se vestem. A busca pela identidade visual e, por consequência, destacar-se, não é um desejo da maioria. No entanto, no berço da contracultura Takeshita Street (竹下通り), uma vertente obscura da subcultura Kawaii (かわいい), contrasta a delicadeza e a brutalidade de um país em que, em 2019, a taxa de suicídio atingiu o maior índice desde a década de 1970.

Yami Kawaii (病みかわいい) surgiu recentemente na cultura popular e a disseminação nas redes sociais tem sido cada dia maior. Emulando uma beleza doentia, a construção imagética é caracterizada pela combinação de tom preto e tom pastel em termos de vestimentas, maquiagem ressaltando a palidez e olhos esfumados em tons de rosa ou vermelho, sugerindo que a pessoa acabou de chorar. Há também referências diretas a distúrbios mentais na maquiagem, estampas e acessórios, como, por exemplo, brincos com seringas pingando sangue falso, giletes ou até mesmo cordões com um nó de corda assim como aqueles usados para enforcamento.



Em uma sociedade na qual verbalizar depressão é visto como um tabu, o movimento adquire tom político ao se tornar uma ferramenta para discutir distúrbios psicológicos. Muitos dos que aderem à tendência usam sua influência para se tornarem ativistas da saúde mental, além de afirmarem o caráter terapêutico e a geração de autoestima que aquela assinatura de estilo lhes proporciona. 

De Takeshita Street (竹下通り) para Paris, o renomado designer Junya Watanabe levou às passarelas subculturas japonesas, incluindo o Yami Kawaii (病みかわいい), em uma coleção chamada Kawaii (かわいい), no outono de 2019, com maquiagem de  Isamaya Ffrench  e cabelo assinado por Kiyoko Odo. Os profissionais salientam que, como o design, a moda sempre é um espelho da sociedade. Por isso, cabe a nós perceber no cotidiano o acaso em que se encontra a mesma. 


Nossa colaboradora!


Isabelle Vímara é jornalista nas horas vagas, designer, stylist, produtora executiva e coolhunter, sempre exercitando o olhar e ressignificando o cotidiano em nome das sete artes.

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2 comentários

  1. Um texto muito maduro, bem didático e explicativo. Parabéns! Estarei seguindo e esperando os próximos posts.

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  2. Nossa amei saber sobre essas informações :)

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