Entrevista Geová Rodrigues

15:46

Foto: Doug Stacker

Oi gente!

Em tempos de pandemia muitas pessoas mudaram o foco e aproveitaram o tempo ócio para repensar muitas coisas. Recentemente conversei com meu amigo, o artista plástico e designer de moda Geová Rodrigues, brasileiro que vive em NY, um dos pioneiros do "fashion upcycling". Confiram os relatos de como o artista passou sua quarentena criativa com mais paz e as fotos do editorial lançando sua nova coleção. 


O que a moda representa para você e em que contexto ela entrou na sua vida?

GR: A moda apareceu na minha vida desde a adolescência, mas sempre de uma forma artística.

Eu era artista plástico e a partir de 1998, passei a trabalhar com moda. Eu corto, costuro, tenho uma equipe que trabalha comigo, mas é tudo voltado para o upcycling.

Me sinto muito mais um artista que faz roupas, do que um estilista.

O trabalho que eu faço na moda há 22 anos, muitas marcas estão fazendo agora, reciclagem e upcycling, métodos de criação que estão em alta por conta da sustentabilidade.

Tudo isso tem uma visão muito peculiar na minha arte. Não consigo me imaginar criando através de tendências, seguindo cartela de cores e lançando várias coleções por ano. Inclusive essa coleção que estou lançando é de Outono/Inverno 2020 que eu lançaria em fevereiro, mas por conta da pandemia, estou mostrando só agora.

Como foi sua trajetória até aqui?

GR: Minha trajetória começou em 1979 quando sai de Barcelona (Rio Grande do Norte) para Natal, de Natal para São Paulo em 1982. Em 1988, me mudei para Paris, sempre atuando como pintor, depois fui para Nova York, trabalhei com pintura e a partir de 1993, comecei a trabalhar como stylist. Em 1998, estreei oficialmente no mundo da moda. Participei da Semana de moda de NY e de lá para cá não parei mais. Tenho uma loja no East Village em NY, chamada "Geova Ateliê", fundada em 2001. Ainda me vejo como um artista, só troquei as telas e pincéis, pelos tecidos e aviamentos.

Como você começou sua marca?

GR: Quando eu comecei a criar minhas peças, trabalhava como stylist, então pegava sobras de tecidos e aviamentos, andava pela “Fashion avenue” em Manhattan, passava pelos ateliês de grandes designers como Calvin Klein, Anna Sui, Michael Kors e com esses materiais comecei a criar as minhas roupas.



Quanto tempo em média, você demora para elaborar e fazer uma peça?

GR: Depende muito da peça, consigo pintar uma camiseta em uma hora, um vestido levo um dia para fazer. Nunca me preocupei com isso e esse tempo que passei numa fazenda na Carolina do Norte, durante a quarentena, esse período me trouxe muito mais paz e paciência, aproveitei o tempo para pintar e fiquei seis meses sem costurar.

Quais são os materiais que você costuma trabalhar?

GR: Gosto de trabalhar com tecidos com textura, brilho, tecidos bonitos e marcantes, bem hi-Low. Não gosto de tecidos duros como lona e jeans. Eu bato os olhos no tecido e já imagino a roupa que vou fazer.

Jairzinho veste botas Thom Browne
Foto: Claudio Selma

Como você enxerga o cenário atual da moda e o futuro dela?

GR: O cenário atual da moda está um caos. Passando por muitas mudanças, muitas marcas acabando, semanas de moda e desfiles on-line. Para mim, o futuro da moda já começou e isso se iniciou há muito tempo, com a revolução industrial, com a invenção do telefone, do rádio, da televisão, do cinema, quando o homem pisou na lua, rs. É o que eu sempre digo: “O futuro a mim não pertence", finalizou o artista.








Editorial NY
Fotos: Claudio Selma
Modelos: Bianca R. e Awa N. 
Agência: Identity Models
Botas: Uma NY e Bottega Veneta

Amei nossas trocas e bate papo! Agradeço e espero te ver em breve!

Forte abraço amigo! 

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